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Cotidiano Na Serra

Escritora Lélia Almeida fala às mulheres em Canela

Nascida em Santa Maria, a gaúcha é uma das pioneiras na literatura no Estado. Vencedora do Prêmio Açorianos de 2013, ela estará no Canela Lendo +, neste sábado, dia 7.

Por Letícia Rossa
Última atualização: 07.12.2019 às 11:25

Foto por: Divulgação
Descrição da foto: Lélia Almeida tem programação em Canela neste sábado

1. Você escreveu 11 livros. De onde veio a motivação para projetar estas obras?

Das histórias vividas, das histórias imaginadas, do que foi lido, e também de uma necessidade de autoconhecimento e autoexpressão.

2. Por que, afinal, escrever?

No meu caso não há muito mistério. Vejo escritores e escritoras dando explicações muito sofisticadas para justificar o motivo desta escolha. No meu caso é bem simples, eu adoro ler e escrever, sinto imenso prazer em escrever e este é o motivo principal. Em algumas situações da vida, escrever me ajudou a dar uma organizada interna, em momentos de grandes dificuldades, mas penso que teria resolvido sem escrever, o que permanece como motivo central é um grande prazer com a escrita mesmo.

3. Você considera que, no Brasil, a literatura (e a arte como um todo) ainda é considerada coadjuvante? Por quê?

Acho que estamos vivendo, no Brasil e no mundo, uma mudança muito devastadora de valores e crenças. A arte e a literatura, os artistas, hoje e sempre, são os que questionam muito profundamente a nossa condição humana e quem somos no mundo em todas as épocas. Estamos vivendo o estertor de um ciclo civilizatório importante e, neste momento, a arte é desvalorizada e desqualificada porque há um avanço feroz da mediocridade e um grande retrocesso. Mas também são estes momentos muito obscuros que preparam novas visões, novas experiências estéticas que sequer podemos supor como se desenvolverão. Um momento muito difícil, mas muito desafiador também.

4. Qual o maior empecilho para escritores e escritoras no Brasil?

O Brasil, por conta de muitos motivos, é um País onde a educação, e a literatura também, não é um valor importante. Quando penso na Argentina, vejo a grande diferença já que para eles a educação e tudo o que se refere ao livro e escritores é da maior relevância. Para além das dificuldades do mercado editorial, da transição tecnológica dos livros e das publicações, o que de mais grave nos impossibilita de uma vida mais rica e de qualidade como escritores é que pensar, criar, refletir criticamente e escrever, não tem a menor importância no nosso País.

5. Em cidades de interior, o acesso à literatura ainda pode parecer difícil para parte da população. Como diminuir esta distância?

As feiras de livros, as conversas nos cafés literários, os clubes de leitura, os encontros com escritores, os cursos temáticos, que hoje são frequentes tanto nas cidades grandes como no interior, ajudam a facilitar a experiência da leitura.

6. No Canela Lendo você falará em dois momentos: às 10h10, no Espaço do Cronista; e às 14h25, sobre a literatura feminina. Ambos os encontros são de graça no Espaço Nydia Guimarães. Qual a importância destas suas falas?

Grande parte da minha produção como escritora é através da narrativa e, em especial, da crônica. O acesso rápido aos jornais eletrônicos e mesmo ao blog e às redes sociais me levou por este caminho. Então falar sobre a crônica e com outros cronistas está relacionado com uma parte da minha experiência. Sobre a literatura de autoria feminina, sou pesquisadora nesta área há mais de três décadas, leio basicamente as escritoras mulheres e continuo interessada e encantada com a produção das autoras. As escritoras mulheres contribuem com uma visão do mundo para uma cultura de homens de uma maneira muito importante, uma visão que deriva de uma experiência própria e que é historicamente invalidada, mas acho que isto começa a mudar atualmente, mesmo que muito devagar.

7. Você escreve sobre e para mulheres. Por quê?

O universo das mulheres me produz muito mais curiosidade do que o universo dos homens, elas são mais interessantes e complexas, e também sou de uma geração para quem o feminismo foi muito importante como construção e crítica social, então o contexto histórico - um momento em que muitas escritoras puderam escrever e ser publicadas - contribuiu para esta escolha. De um modo geral me interessa mais saber o que as mulheres pensam sobre a vida e o mundo do que o que os homens pensam. Gosto da inteligência das mulheres.

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