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Notícias | Região Solidariedade

Em Gravataí, tem pão quentinho para quem não pode pagar

Mesa colocada em frente à padaria do bairro Marrocos, disponibiliza pães e outros alimentos gratuitamente

Por Diléa Fronza
Publicada: 09.10.2019 às 16:16

Ideia do pão solidário surgiu após a proprietária Fernanda ver ação parecida no Paraná Foto: Fernando Lopes/GES
Passar em frente a uma padaria, sentir aquele cheirinho de pão e não poder comprar. Esta é a realidade de muita gente. Mas em Gravataí, uma padaria localizada no bairro Marrocos decidiu que todos devem ter o direito ao seu pão de cada dia. Há cerca de duas semanas, uma mesa foi instalada em frente ao estabelecimento e pães, cucas e outros alimentos são disponibilizados para quem quer comer, mas não pode pagar. "Sempre que uma pessoa entra na nossa padaria e pede um pouco de comida, a gente dá. Mas queríamos fazer por aqueles que não têm coragem de pedir. Depois de ver uma ação semelhante sendo realizada no Paraná, minha esposa teve a ideia de fazer parecido", conta o proprietário Pedro Batista.

Há 39 anos no mercado, a padaria sempre funcionou na esquina da Avenida Dorival de Oliveira com a Rua Presidente Kennedy. Engana-se quem acredite que o pão deixado ali é o que não foi vendido. "Colocamos ali aquilo que serviríamos para a nossa família. É o mesmo produto que é vendido no balcão", acrescenta. A distribuição acontece em todo o período em que o estabelecimento fica aberto, das 6 às 20h30. "Sempre que vemos que está acabando uma funcionária vem e coloca mais pães", acrescenta.

A repercussão

Pães são deixados em frente à padaria para quem quiser pegar Foto: Fernando Lopes/GES
Pedro confessa que ele e a esposa Fernanda ficaram com receio de que a ideia não fosse dar certo. "As pessoas podiam pensar que era algo velho. Também não queríamos divulgar para que não se tornasse algo negativo, mas, pelo contrário, só tivemos bons retornos", diz.

Nas redes sociais, postagens de clientes que viram a atitude viralizaram. "Foi muito impressionante o retorno. Alguns depoimentos nos emocionaram, como o da senhora que escreveu que há trinta anos não tinha o que comer e ganhou pães ao pedir. Nossa ideia era fazer algo pelo próximo, como sempre fizemos. Ficamos felizes por as pessoas terem entendido o objetivo", garante.

Pegue o que precisa

Quem quiser um pão, é só pegar Foto: Fernando Lopes/GES
O cartaz colocado junto à mesa diz "Pegue somente o necessário". Até o momento, ele vem sendo respeitado. "A gente vê muitas pessoas vindo pegar. Tem quem questione se é de graça mesmo, quem olhe com desconfiança. Mas no geral, as pessoas entendem. Claro que já aconteceu de vir gente e levar tudo o que está disposto. Eu acredito que os bons são a maioria e é para eles que a ação foi feita. Vai da consciência de cada um saber o quanto pode levar", diz.

Dentre tantos que pegam o pão, alguns já emocionaram os 19 funcionários da padaria. "Teve um senhor que pegou o saco de pão e deixou uma moeda de dez centavos, a única que tinha. Ele disse que queria contribuir. Outro dia um rapaz que vendia bala no sinal disse que não tinha conseguido juntar dinheiro suficiente para comprar pães para a família. Falamos que era para pegar o que precisava e ele levou um para cada filho. São em pessoas como eles que pensamos", acrescenta.

Que outros copiem

Pedro diz que eles não queriam divulgar a ação, mas que, após a repercussão nas redes sociais, mudaram de pensamento. "Esperamos que sirva para que outros comerciantes se inspirem. Se cada um fizer um pouco, a gente muda a situação de tanta gente", conclui.

Os clientes da padaria também acham a atitude boa. "Eu não moro por aqui, mas sempre que passo pela região venho fazer compras. Não sabia dessa ação e me surpreendi. É uma atitude muito linda", afirma o técnico em mecânica Lucas Melassani.

Josué Noschang é mecânico e morador da região. "Eu achei fantástico o que eles fizeram. Tanta gente que não pode comprar e agora vai ter a oportunidade de comer um pãozinho. Se cada um fizesse a sua parte, não teria tanta fome por aí. Que sirva de exemplo para mais comerciantes e que essa ideia se espalhe por todos os lugares".

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