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Opinião

Portas abertas no cárcere

Por Adriana Zottis
Última atualização: 04.12.2019 às 08:53

Estamos todos enredados em um emaranhado de limitações. De nossas percepções. De nossos sentidos. De nossas crenças. De nossos preconceitos. Das palavras que não bastam para expressar nem o que pensamos, muito menos o que sentimos. Estamos todos, em certa medida, auto-cerceados. 

Recentemente, em meio a um grupo de apenados da Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) que participam da oficina literária da irmã Marta Maria Godoy, fui tocada pela força daquela mulher. Tão pequena. Fisicamente tão frágil, mas com uma energia de gigante. Falando para seus alunos, ocupava a sala toda, de uma ponta a outra, do chão ao teto, irradiando uma vivacidade luminosa. Nas cadeiras dispostas em círculo, aquelas pessoas aprendiam com ela que a libertação pode estar em um lugar bem perto, mas nem sempre percebido: dentro da gente.

Freud dizia que o ato de escrever nos permite assumir o difícil papel de observadores de nós mesmos. O ato de escrever, portanto, seria como uma chave para abrir as grades internas que nos oprimem. Ao colocar nossos “monstros” para fora, na folha de papel ou na tela do computador, estaríamos nos libertando. “Com a escrita, pude transmitir o que não conseguia pela fala. Assim, consegui me reaproximar da minha família”, revelou um dos detentos que participam das aulas de irmã Marta. Assim como outros companheiros de oficina, ele encontrou na literatura uma porta aberta em meio ao cárcere. Nunca imaginei que, do lado de dentro das grades de um presídio, pudesse florescer tanta liberdade.

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