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Cotidiano | Gente LUTO

Morre o hamburguense e ex-treinador de futebol Jaime Schmidt

Ele trabalhou nas categorias de base do Noia, Grêmio e Inter

Por Jauri Belmonte
Publicado em: 23.10.2021 às 15:52 Última atualização: 23.10.2021 às 16:37

Morreu neste sábado (23), aos 88 anos, o ex-treinador de futebol Jaime Schmidt. Natural de Novo Hamburgo, ele iniciou no futebol amador da cidade e trabalhou no fim dos anos 60 nos juvenis do Noia, até ir para as categorias de base da dupla Gre-Nal.

Jaime Schmidt tinha 88 anos
Jaime Schmidt tinha 88 anos Foto: Reprodução

Entre as décadas de 70 e 80 foi um ‘descobridor’ de talentos tanto para Grêmio quanto para Inter. Deixou um legado e, acima de tudo, foi pai. Schmidt estava internado desde 25 de setembro no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, depois que teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. Teria alta esta semana, mas pegou uma infecção e, após complicações, não resistiu.

“Ele era meu ídolo. A dor que sinto é imensurável. Éramos amigos e tínhamos uma relação próxima demais”, disse emocionado o filho Nilson Schmidt, de 65 anos. “Vivi muitas coisas com ele. Nunca pensei que passaria por isso.”

Mais que laços afetivos, Nilson herdou o carinho pelo futebol. Tanto que, hoje, é conselheiro do Colorado. “Comecei como mascote no Adams por influência do meu pai. Depois ele acabou indoi para o então Floriano - nome que o Noia precisou adotar por conta da Segunda Guerra Mundial. Delmar Fleck, que era torcedor do Noia e amigo, foi o responsável por convencê-lo. Hoje sigo muito ligado ao futebol”, explica.

 

Descobertas

Mas Jaime não teve ligação apenas com os mantos e tradições do Anilado e da Dupla Gre-Nal. Ele foi além, rodou o Brasil e o exterior. Treinou mais de 20 clubes Brasil afora e descobriu talentos.

Para o Noia, revelou Juti, Nilo, Keiber e Baiano.

No Inter, treinou Batista e Caçapava quando jovens. “Um nome recente que meu pai descobriu e trouxe para o Inter foi o Bolívar, que era do Guarani de Venâncio Aires”.

No Tricolor buscou Renato Portaluppi no Esportivo, assim como treinou um dos maiores ídolos da história gremista. Bonamigo, Casemiro, Baidek, Caio Júnior entre outros também foram descobertas de Schmidt. "Em 1981, no Caxias, treinou o Tite, hoje comandante da Seleção Masculina de Futebol do Brasil", lembra Nilson.

Em Santa Catarina, passou pela Chapecoense, onde revelou Paulo Rink, além de campanhas marcantes por Tubarão, Araranguá, Criciúma e Inter de Lages. Um dos trabalhos com destaque foi em Rio Grande, quando treinou o São Paulo e foi treinador campeão da Copa Bento Gonçalves.

Também trabalhou no Xavante, no Pelotas e no Aimoré. Mais ao Norte, passou pelo Ariquemes, de Rondônia, e no Sampaio Corrêa do Maranhão. Fora do Brasil, treinou o Deportivo Itália, da Venezuela.

A trajetória no mundo do futebol também estabeleceu laços de Schmidt com treinadores como Telê Santana, Rubens Minelli e Orlando Fantoni.

 

 

Jogo marcante

“Quando ele treinava os juvenis do Noia, teve uma partida contra o Inter no Estádio Santa Rosa, em Novo Hamburgo. O estádio estava lotado. O Inter, que tinha Escurinho e Cláudio Duarte, era o favorito e vinha de um jogo no Uruguai, mas acabou sendo derrotado pelo Anilado por 2 a 1. Lembro que o fato foi muito comentado na época”, conta.

 

Biografia

Em 2015, a trajetória do treinador foi contada em um livro, escrito pelo jornalista Eduardo Rodrigues. A obra recebeu o título de Lições de um mestre. 

Na época, Jaime visitou o Grupo Sinos junto de Eduardo Rodrigues (à esquerda) e seu filho, Nilson (à direita)
Na época, Jaime visitou o Grupo Sinos junto de Eduardo Rodrigues (à esquerda) e seu filho, Nilson (à direita) Foto: Inézio Machado/GES

Homenagens

Nilson conta que neste sábado recebeu diversas ligações do seu pai, especialmente ex-atletas, como Baidek e Paulo Roberto. "Eles me ligaram e fiquei muito emocionado com esse contato. Soube que o Grêmio também homenageou meu pai. É algo que mostra o legado que ele deixa."

Jaime deixa a esposa, Edelvira Schmidt, 87 anos, e os filhos Nilson e Marli.

 

Clubes prestam homenagens

Leia na íntegra as notas postadas por Grêmio e São Paulo de Rio Grande

"Ao longo de sua trajetória no Tricolor, trabalhou com inúmeros atletas que mais tarde se tornaram protagonistas dos títulos de campeão brasileiro em 1981, da Copa Libertadores e do Mundial em 1983, como Paulo Roberto, Newmar, Casemiro, Bonamigo, Odair, Baidek, Paulo Cézar Magalhães e Renato Portaluppi.

Schmidt foi também fundamental na contratação de Baltazar em maio de 1979, o autor do gol do título brasileiro de 1981. O Grêmio de solidariza com familiares e amigos, desejando-lhes força neste momento de dor. 

 

"O Sport Club São Paulo, lamenta, com profundo pesar, o falecimento do treinador campeão da copa Bento Gonçalves, Jaime Schmidt. O clube envia os mais sinceros votos de pesar e se solidariza aos familiares nesse momento de perda".


O velório de Jaime Schmidt acontece a partir das 17 horas, deste sábado, na Capela Sala Esperança, na Funerária Krause, R. Helmuth Heldt, 120. Ele será sepultado no domingo (24), a partir das 16 horas, no Cemitério Municipal de Novo Hamburgo. 

 

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