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Opinião | Como foi o seu nascimento?

Lorena Müller é treinadora de emoções

Por Lorena Müller
Publicado em: 05.10.2020 às 03:00 Última atualização: 05.10.2020 às 08:17

Amo ter experiências diferentes, me fortalece e me faz conhecer melhor. Tive a oportunidade de fazer um curso em São Paulo, o meu irmão Daniel me convidou, me disse que gostaria que eu tivesse a oportunidade de me consultar com um terapeuta com uma técnica indígena. Na vida aprendi a não ter preconceito pelo trabalho das pessoas e pensando desta forma encontrei muitas transformações.

Uma semana antes da consulta me pediu para escrever como tinha sido o meu nascimento, falei com minha mãe que prontamente me contou. Quando chegou o dia da consulta, entramos numa sala e sentamos num lugar rodeado de plantas, me senti acolhida. O terapeuta veio e me perguntou se meu irmão poderia ficar. Respondi que com certeza, nós não temos segredos. Me disse novamente: "conta como foi o dia do teu nascimento". Falei no dia que nasci o vizinho "próspero" levou a minha mãe até o hospital porque o meu pai estava viajando. E quando nasci, a médica perguntou o nome do bebê e a minha mãe disse: "em homenagem à senhora, o nome dela será Lorena também". Já nasci com fome, foram então em busca de uma mamadeira para me alimentar.

Nesse momento, ele se dirige ao meu irmão e pergunta: "você lembra de tudo isso?" O meu irmão, com seu jeito autêntico, e com os olhos azuis arregalados, responde: "óbvio, eu tinha 5 anos. E não foi nada disso." E começamos a rir! Ele me contou que quando eu nasci foi um dia de muita alegria. O meu pai acompanhou a minha mãe até o hospital e, durante a cesariana, ficou com ele na sala de espera. O quarto era compartilhado com outra gestante que também teve uma filha naquele mesmo dia. E, por destino, o pai dessa criança era inimigo do meu pai. Por isso, ele evitava ficar no quarto. Quando o Daniel me viu estava preocupado porque meus cabelos não eram claros como o dele e disse: "mãe, não te preocupa que eu vou emprestar o meu xampu e os cabelos dela vão clarear".

A diferença em contar a história me clareou os meus pensamentos. Logo depois, o terapeuta me perguntou como era a minha mãe, eu descrevi e ele perguntou o mesmo ao meu irmão. Rimos mais uma vez, porque parecia que se tratava de pessoas totalmente diferentes.

O que aprendi? A viver experiências sem julgar. A ter um olhar mais sábio, apreciar acima do bem e do mal. Entender que as emoções modificam a memória. Que as pessoas têm percepções diferentes. Que tudo que rejeitamos nos nossos pais, na verdade, nos falta para viver uma vida plena e feliz. É como se a semente de uma flor brigasse e rejeitasse a pétala. Estaria limitada para a vida, por isso acolha a sua história que você sentirá a sua força.

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