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Menino autista de Sapiranga escreve livro com ajuda da mãe

Autor da obra, que foi lançada nesta quarta-feira (4), tem 10 anos de idade e teve o diagnóstico quando tinha oito

Por Susi Mello
Publicado em: 05.08.2021 às 06:05 Última atualização: 05.08.2021 às 18:07

Um menino autista, que vive com a família em Sapiranga, resolveu contar para todos a sua história. Apaixonado pela escrita, o estudante Josué Stein Pedroso, 10 anos, teve a sensibilidade de uma professora e o incentivo dos pais, da escola de música a qual frequenta e da prefeitura da cidade, para escrever o livro "Eu sou assim".

Estudante Josué Stein Pedroso autor do livro Eu sou Assim, com a mãe Giovana Stein Pedroso, em Sapiranga Foto: Susi Mello/GES-Especial


Em 12 páginas, o jovem escritor, que também é o personagem principal, fala sobre autismo, a rotina e sentimentos em relação à escola, à família e às pessoas. A obra, editada pela Z Multi Editora, foi lançada nesta quarta-feira (4).


"No meu livro eu só conto o que é ser autista. Conto as partes boas e as ruins, porque as pessoas às vezes não entendem o meu jeito ", declara o menino, aluno da Escola Municipal de Ensino Fundamental Pastor Rodolfo Saenger, em Sapiranga. Tudo o que está no livro foi ditado por ele para a mãe, a professora Giovana Cristina Stein Pedroso, 47. Enquanto contava que gosta de tocar teclado, que se sente pressionado quando aparece em público, que percebe que as pessoas não entende seu jeito de ser e o que quer dizer, sua mãe digitava.

A ideia do livro, explica a mãe de Josué, despontou quando a professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE), Veridiana dos Santos, da escola dele, solicitou que Josué fizesse um texto ou vídeo contando como ele era. "Peguei meu notebook e ia escrevendo o que ele falava. Ele fala como se sente, como se vê, sendo um autista, frisou seus sentimentos", relembra a mãe. A partir dessa história, ela e professora viram a potencialidade do livro. "Recebemos o apoio da prefeitura, da escola de música Academia Musical e fui atrás da editora para a publicação" , salienta Giovana, mãe do menino que virou personagem principal de um livro.


Josué está entre os 203 mil casos de pessoas autistas no Estado. A Secretaria de Saúde informa que, no Brasil, ainda não existem dados epidemiológicos representativos sobre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Em 2020, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, a cada 54 crianças, uma era diagnosticada com TEA. A partir dessa análise de prevalência, a Secretaria de Saúde do RS estima que são 203 mil casos no Estado. Agora, com a confecção da CIPTEA (carteira de identificação da pessoa com TEA), a Secretaria de Saúde acredita que será possível realizar esse levantamento epidemiológico. 

 

Estado possui centro de referência para atendimento a autistas

No Estado, centros de referência macrorregionais em transtorno do espectro autista (TEA), estão localizados em Cachoeira do Sul, Pelotas e Santa Rosa. Segundo a Secretaria de Saúde, eles oferecem retaguarda assistencial e suporte técnico-pedagógico às equipes dos municípios da macrorregião de saúde no tema do autismo, por meio do matriciamento, nas três áreas prioritárias: saúde, educação e assistência social.

No momento, o governo do Estado ainda está em processo de implantação desses três primeiros centros contemplados, para organização do espaço físico e da equipe, com todos os recursos que são necessários ao trabalho. Eles devem funcionar, no mínimo, oito horas por dia, durante os cinco dias úteis da semana.

O CMR em TEA será referência para os serviços das redes municipais de saúde, educação e assistência social, tendo a qualificação dessas redes no tema do autismo, através do matriciamento, como "carro-chefe" do trabalho do centro.

Pais devem acreditar nas potencialidades de filhos autistas

A mãe de Josué expôs que o diagnóstico de autismo leve ocorreu quando ele tinha oito anos. A família percebeu que não lhe atraia aprender as letras na escola. "Ele tinha resistência. A alfabetização foi mais complicada, enquanto o desenvolvimento foi normal, já que caminhava e falava. No entanto, comecei a perceber que ele ficava isolado", relembra. Com a procura por respostas veio o laudo. "Foi algo muito chocante. Tinham duas posturas: negar, esconder, sentir a exclusão ou ver que janelas de oportunidades poderiam ser abertas. Assumi o laudo como uma janela de oportunidade, porque ele é uma criança com muitas potencialidades", frisa.

Para ela, o laudo confirmando que um filho é autista não pode paralisar os pais. Pelo contrário. Temos que agir em favor dos filhos, sem nos acomodar. Somos presenteados com cada filho que temos. Temos que olhar para as potencialidades deles", aconselha Giovana.

O que Josué pensa

 "Eu me sinto pressionado quando apareço em público, mesmo tendo alguns talentos como tocar teclado e fazer teatro."

"A música representa mais do que um hobby. É algo muito especial na minha vida."

"Não gosto de me sentir deslocado, mas toda a pressão que sinto quando estou no meio das pessoas me dá um pouco de vontade de ficar sozinho."

"Quando eu brinco com as outras crianças, me sinto alegre e tenho vontade de brincar para sempre, mas isso não é possível, pois nem sempre os outros entendem meu jeito de brincar."

"Alguns autistas são perfeccionistas, ou não. Os autistas não são iguais. Cada um tem seu jeito de ser."

"Eu já sofri bullying por ser diferente e por ser grande."

"Não é legar não ter amigo, mas com o tempo acabei tendo e foi incrível."

"Felizmente, sempre tive minha família que eu amo e me ama do jeito que eu sou para me apoiar."

Saiba como comprar o livro

O lançamento da obra de Josué Stein Pedroso ocorreu na quarta-feira (4) durante live com a mãe, Giovana Stein Pedroso, e a jornalista Sandra Hess, no Facebook da Z Multi Editora.

O livro, ilustrado por Rodrigo Nunes, tem 12 páginas e pode ser adquirido pelo valor de 15 reais. Os pedidos são feito pelo WhatsApp (51) 9961-4410 ou no site www.zmultieditora.com.br.

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