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Notícias | Gravataí Investigação

Possível negligência na morte de bebê em parto no Dom João Becker é apurada pela polícia

Complicações em parto, após 27 horas de atendimento no Hospital Dom João Becker, resultaram na morte de bebê no final da última semana. Família denuncia possível negligência médica. Santa Casa garante que seguiu todos os protocolos

Por Eduardo Torres
Última atualização: 04.03.2020 às 10:24

No chá de fraldas, todo o carinho com que o Theo era esperado pela família Foto: Arquivo Pessoal
O sonho do casal Jeniffer Gabriela de Lima, 22 anos, e Marcel Paulo Peçanha, 34 anos, gestado durante nove meses, foi cortado, de maneira trágica, no começo da madrugada de sexta (28) no Hospital Dom João Becker, em Gravataí. Eles esperava deixar o hospital com o menino Theo nos braços, mas, depois de complicações durante o parto, o bebê não resistiu e morreu. A família acusa o hospital, onde Jeniffer permaneceu por 27 horas, de negligência. Em nota oficial, a Santa Casa de Misericórdia assegura que todos os procedimentos padrão foram seguidos.

O caso, registrado pelo casal na manhã desta segunda (2) na 1ª DP de Gravataí, agora será investigado pela Polícia Civil.

"Ainda é cedo para determinarmos se houve negligência ou uma fatalidade. Primeiro, queremos ouvir a mãe, ter acesso a toda a documentação, ao prontuário médico e também ouvirmos a equipe que atendeu à paciente", explica o delegado Márcio Zachello.

Caso seja apontada negligência, o inquérito policial poderá resultar em indiciamento por homicídio culposo. Ainda nesta segunda, a família pretende comunicar o Ministério Público. O caso também já foi relatado ao Conselho Tutelar. Na tarde de domingo, eles protestaram com cartazes em frente ao Dom João Becker.

"Tiraram esse sonho de mim. Era a minha vida e eu não consegui nem pegar o meu filho no colo", desabafou a mãe pelas redes sociais.

Moradora do bairro Neópolis, em Gravataí, ela havia completado 41 semanas de gestação quando, na última quarta (26), procurou o Hospital Conceição. Foi atendida, mas comunicada de que o parto deveria ser feito em Gravataí. No começo da madrugada de quinta (27), foi internada no Dom João Becker.

"Passaram dois plantões sem nenhum problema. Eles estavam medicando a Jeniffer e acompanhando o bebê, até que aconteceu a troca para o terceiro plantão e ela não aguentava mais de dor. Mesmo assim, o médico se negou a fazer a cesariana, pelo SUS ou particular, porque nós falamos que pagaríamos", diz Marcel.

Relato sobre a morte do bebê no parto chegou ao Conselho Tutelar Foto: Arquivo Pessoal

No relato feito por Jeniffer em suas redes sociais, ela conta que, às 20h de quinta, com muita dor, aguardava ser colocado o soro para indução do parto. Não foi o que aconteceu. Ela teria sido novamente medicada e mantida debaixo do chuveiro para suportar a dor.

A esta altura, os familiares haviam solicitado que o parto acontecesse por cesárea, mas, segundo eles, a hipótese foi negada pelo médico plantonista. A alegação era de que o parto normal era o mais recomendável neste caso.

Quando a situação ficou insuportável, já às 3h de sexta, a equipe médica monitorou o bebê e foi constatado que poderia estar havendo sofrimento fetal.

"Romperam a bolsa e só saiu um pouco de líquido preto. Me levaram correndo para a mesa de cirurgia, que iriam fazer a cesárea. Eu vi que alguma coisa estava errada, ele não chorava. Meu bebê morreu por causa de um médico que não quis fazer a cesariana", completa o seu depoimento a mãe.

Além da investigação policial, o Hospital Dom João Becker abrirá uma apuração interna, com a participação da Secretaria Municipal da Saúde, que é a gestora do SUS em Gravataí. De acordo com a direção do hospital, este é o procedimento padrão em casos de mortes materno-infantis.

Em nota oficial, a Santa Casa declara que "todos os protocolos de atendimento assistencial foram prestados de acordo com o estabelecido pelos órgãos municipal, estadual e federal de saúde. Entretanto, a instituição registra a sua solidariedade com a família neste momento de dor e está à disposição para esclarecimentos junto aos familiares e autoridades competentes".

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