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Notícias | Mundo Lá não falta vacina

O que Israel fez para ser referência na vacinação contra Covid-19?

Em crise política e com eleições marcadas, país com população de menos de 10 milhões de habitantes investiu pesado e fez concessões para garantir fluxo contínuo de doses e liderar corrida da vacinação contra o novo coronavírus

Publicado em: 20.02.2021 às 07:00 Última atualização: 20.02.2021 às 16:38

Netanyahu tenta recuperar imagem Foto: Divulgação
Enquanto o Brasil e outros países mundo afora engatinham na vacinação em massa contra Covid-19, Israel dá exemplo ao mundo neste sentido. Até esta semana, quatro milhões de israelenses foram vacinados, o que representa 43% da população. Destes, 2,6 milhões já receberam a segunda dose. Ao se analisar a faixa etária acima dos 60 anos, mais de 80% deste público já foi protegido. De acordo com dados de uma seguradora de saúde, o número de pessoas com sintomas da doença entre aquelas que receberam as duas doses caiu mais de 90%. Números que colocam o país do Oriente Médio na condição de líder mundial da campanha de imunização.

O sucesso do país de 9,3 milhões de habitantes se deve a uma conjunção de fatores, que inclui o contexto político local e internacional. Com o governo rachado, nova eleição marcada para março e o premiê Benjamin Netanyahu levado a julgamento por corrupção, além da perda do principal aliado político Donald Trump, o país encontrou no enfrentamento da pandemia uma forma de ganhar apoio. "Compramos muito e compramos rápido", resumiu em entrevista recente Netanyahu, que fez questão de ser fotografado recebendo a vacina.

E para comprar muito, Israel pagou caro e fez uma série de concessões para garantir doses suficientes até que o país alcance 95% da população do país imunizada - menores de 16 anos não integram este público. Pelo acordo que fez com as fabricantes Biontech-Pfizer, o país paga quase o dobro por dose em comparação à União Europeia - 23 euros contra 12 euros. Além disso, o governo assume responsabilidade pela qualidade da vacina. Com o sistema de saúde digitalizado, Israel ainda fornece de maneira ágil dados sobre pacientes vacinados às farmacêuticas, informações valiosas pelas empresas seguirem com estudos sobre a Covid-19. Em troca, o país garantiu um fluxo contínuo de fornecimento de vacinas.

"Dissemos (a Pfizer) que Israel poderia servir como um laboratório mundial para a imunidade de rebanho ou algo próximo disso muito rapidamente. Temos um sistema eficiente de distribuição", explicou Netanyahu sobre como conseguiu firmar o acordo com as gigantes farmacêuticas.

Israel começou a vacinação em 19 de dezembro dos profissionais da saúde, daqueles com mais de 60 anos e dos pacientes em risco. Desde a segunda quinzena de janeiro, pessoas com 40 anos ou mais também podem tomar a vacina. Logo após, foram autorizados alunos do ensino médio com idades entre 16 e 18 anos mediante aprovação dos pais.

Com uma população semelhante à de Nova York, a campanha de vacinação de Israel é relativamente simples em comparação com as mobilizações em massa necessárias para nações com muito mais pessoas e uma maior extensão da geografia. O objetivo do governo é vacinar a maioria dos habitantes até o início da primavera, que começa entre abril e maio. (Com informações da Agência Estado)

Crachá marcará vacinados e não vacinados

Com uma vacina se mostrando eficaz e um contingente grande da população protegida, as autoridades projetam reabrir de maneira gradual estabelecimentos como academias, museus, restaurantes e shoppings a partir deste domingo. No entanto, nem todos poderão usufruir deste retorno.

O governo anunciou que adotará crachás para identificar quem está imunizado daqueles que não estão. A cor roxa seria para quem ainda não foi vacinado ou que recebeu uma dose; e a cor verde para quem recebeu duas doses ou está recuperado da doença.

 

Resistência e fake news

As maiores taxas de infecção continuam a ser registradas entre comunidades judaicas ultraortodoxas, relutantes desde o início de pandemia para cumprir as medidas de distanciamento social. A polícia israelense interveio no final de janeiro em algumas congregações da comunidade - houve registro de confrontos com as forças de segurança.

Para coagir quem resiste a seguir os regulamentos de saúde, o governo dobrou no final de janeiro o valor de multa para empresas que não respeitarem restrições e para quem realizar festas ou casamentos. A polícia chegou ainda a identificar grupos de sabotadores antivacina que marcavam hora para se imunizar e não apareciam, tentando fazer com que a dose estragasse. A divulgação de fake news, especialmente entre os jovens, é outro problema identificado pelo governo.

 

Israelenses testam remédios contra Covid-19

Além de liderar a vacinação contra o coronavírus, Israel também foi destaque na imprensa internacional nos últimos dias em razão de dois medicamentos que teriam grandes chances de curar casos moderados a graves de Covid-19, revelados por pesquisadores.

Um deles é o EXO-CD24, que está sendo desenvolvido pelo Centro Médico de Ichilov, de Tel-Aviv. O medicamento para inalar, testado inicialmente para tratamento de câncer, acaba de passar pela primeira fase da pesquisa. Trinta pacientes com Covid-19, em estado moderado e grave, receberam a medicação. Desses, 29 tiveram alta após um período de três a cinco dias de tratamento. O trigésimo paciente também foi curado, mas depois de um período maior de recuperação.

O segundo medicamento é o Allocetra, que acabou de passar pela segunda fase de testes no Hadassah Medical Center, em Jerusalém. Em uma das etapas, 16 pacientes receberam o medicamento experimental, nove deles em estado grave e sete em estado crítico. Após 28 dias, nenhum deles morreu e 14 pacientes receberam alta do hospital. Os outros dois permanecem no hospital, em respiradores, na unidade de terapia intensiva.

O Alloctera atua de forma similar ao EXO-CD24, contendo a resposta inflamatória do sistema imunológico e entrou agora na fase três de testes, onde será administrado em mais cem pessoas.

Em suas redes sociais, presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) receberá em breve um pedido de análise para uso emergencial do EXO-CD24.

Nem tudo são flores no país

Israel conseguiu conter o avanço do vírus assim que os primeiros casos foram confirmados em março do ano passado. Mas abertura precipitada das escolas, no final de maio, provocou novos surtos.

No final de dezembro, o país teve novo salto nos casos, com a chegada da variante britânica do vírus, que é mais contagiosa. Ainda que tenha havido queda nas últimas semanas, os números de novas infecções seguem mais altos do que no início de dezembro, muito por conta do relaxamento da população após série de quarentenas.

Até quinta-feira, 18, o país tinha cerca de 740 mil casos de Covid-19, com cerca de 5,5 mil mortes. Segundo o governo, mais de 97% das mortes no último mês foram de pessoas não vacinadas.

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