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O veneno do estereótipo

Por Gabriel Colle
Publicado em: 02.03.2021 às 03:00 Última atualização: 02.03.2021 às 08:29

A repercussão em torno de uma contaminação de lavouras orgânicas em Nova Santa Rita, ocorrida em novembro do ano e que segue sendo investigada, mostra o quanto a discussão sobre o uso de agrotóxicos precisa ser aprofundada e, principalmente, despida de estereótipos. Isso para que o preconceito não gere uma falsa perspectiva de solução e provoque um problema maior do que se pretende resolver. Tanto do ponto de vista econômico quanto de preservação ambiental e de segurança das pessoas.

Os mesmos produtos aplicados por aviões são aplicados também pelos meios terrestres - tratores, pulverizadores estacionários e até os pulverizadores costais (nas costas do aplicador a pé). Todos com o mesmo risco de deriva (quando o produto desvia do alvo) sempre que não são observados os parâmetros de vento, umidade relativa do ar e temperatura ambiente. Fato comprovado em estudos como uma pesquisa de campo feita em 2017 pela Universidade de Rio Verde, em Goiás, e nas pesquisas realizadas pela Embrapa, como apoio do Sindag, entre 2013 e 2017.

Porém, de todas as ferramentas de aplicação em lavouras (a apesar dos riscos serem iguais entre elas), a aviação é a única com legislação própria. Normas que exigem, por exemplo, um piloto especialmente formado para esse tipo de atividade, que a empresa tenha engenheiro agrônomo próprio coordenando as operações, além de técnico agrícola com especialização presente em todas as operações em campo. Sem falar no pátio de descontaminação, onde o avião é lavado e os resíduos vão para um sistema de tratamento de efluentes.

Além disso, cada operação aérea gera um relatório detalhado, abrangendo dados do produto aplicado, localização georreferenciada da lavoura, condições meteorológicas durante a aplicação e até o arquivo digital (inviolável) do DGPS da aeronave, que registra cada faixa aplicada e onde o avião passou com sistema de aplicação aberto ou fechado. Tudo à disposição de fiscalizações e com cópia enviada ao Ministério da Agricultura. Regras que só aviação tem.

Para completar, a ferramenta aérea tem alta tecnologia embarcada e, como é rápida, aproveita a janela meteorológica mais adequada à aplicação. O que gera menos chance de retrabalho. Logo, há menos necessidade de produtos.

É bom ressaltar que o uso de agrotóxicos exige responsabilidade e cuidado. E aí é salutar o olhar crítico da sociedade e vigilante das autoridades. Quando há falhas, seja por meios terrestres ou aéreos, elas devem ser corrigidas e, se for o caso, punidas. Mas é no mínimo irracional achar que a solução para qualquer problema de má prática no uso de agrotóxicos em campo seja proibir a única ferramenta de aplicação altamente regulada e fiscalizada. Logo, a mais segura.

 


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