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Um março assustador

Avanço descontrolado do contágio e das internações hospitalares por Covid-19 gera temor de colapso da capacidade de atendimento e da saúde dos atendentes

Por Guilherme Schmidt
Publicado em: 02.03.2021 às 16:44 Última atualização: 02.03.2021 às 17:25

O mês que recém começou promete ser um dos mais complicados da pandemia da Covid-19. Exatamente um ano após toda esta reviravolta em nossas vidas começar, a sensação de impotência (além da indignação no limite) só aumenta. No final de março de 2020, muitos achavam que era preciso umas duas semanas para controlar o vírus, mas cá estamos, vivendo sob o caos nas internações hospitalares. E os profissionais de saúde atendendo no limite da sua saúde mental, emocional e física. 

A cada dia, os já esgotados profissionais de saúde se veem frente a frente com decisões difíceis diante de cenas diárias de perdas de vidas. Mortes todos os dias. E ainda temos aquelas pessoas que, irresponsavelmente, dizem que isso sempre foi assim, hospitais com UTIs superlotadas. Que o sistema de saúde sempre teve menos leitos do que se precisava, todo mundo sabia. Mas perceber um índice superior a 50% de mortes nas UTIs por causa da Covid é algo assustador. Já nem dá para chamar de negacionismo quem não vê a gravidade da situação; já se trata de estupidez.

Perdas

É claro que sempre dentro da questão da negação está a questão econômica. O desespero de quem vê as contas chegando e não têm como pagar porque seu negócio sofre restrições ou até mesmo está fechado. Esta é uma situação bastante delicada. A saúde econômica também está debilitada. Por isso é preciso saber dosar. Tem razão o comerciante que reclama não poder atender um cliente por vez em seu espaço, com todos os cuidados, enquanto que grandes mercados - que são necessários (essenciais, como se diz)  no setor de alimentação - atendem dezenas de pessoas (e se cruzando nos corredores) dentro das suas dependências.  

Só produtos essenciais liberados

Interessante o pedido da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV) ao governo do Estado sobre a restrição na bandeira preta à venda de produtos não essenciais por parte dos  supermercados. A ideia é proibir venda no super de produtos de bazar e vestuário, já que este comércio está proibido de abrir. A alegação dos lojistas é que esta demanda ficaria represada e poderia ser suprida na reabertura gradual do comércio dito não essencial, gerando uma concorrência mais justa. Além disso, a AGV pede uma janela aberta para que os lojistas possam receber o pagamento de contas presenciais de clientes que não meios eletrônicos de fazer a quitação de débitos.

Sem aula

Com a decisão anunciada só no fim da noite de domingo foi difícil para as escolas privadas avisarem na segunda-feira as famílias que as aulas presenciais dos pequenos estavam suspensas por ordem judicial. Teve pai e mãe fazendo um indignado bate e volta no portão da escola. Nesta terça há uma boa parte que espera a reversão da decisão por parte do Estado, que entrou com recurso para derrubar a  liminar que proíbe aulas presenciais em todo o território gaúcho.

Vacinômetro

É incrível como os dados da vacinação contra a Covid são desencontrados entre Estado e prefeituras. Tem município com aplicação abaixo de 20% das doses, o que convenhamos, seria muita incompetência. Mas o que se vê é um incrível atraso no repasse das informações para abastecer o site de Monitoramento da Imunização Covid-19 (vacina.saude.rs.gov.br). Resta saber quem está falando: o Estado em receber as informações ou os municípios em repassá-las.

Outra bombada

Com o novo reajuste da gasolina, ontem mesmo as revendas já deram uma ajustada de dez centavos no preço. Resta saber a qual valor o litro vai nesta semana. A maioria fixou em torno de R$ 5,29 nesta terça. Mas há a possibilidade de elevação até quinta ou sexta-feira. Em Bagé e na fronteira, o litro passou de 6 reais, chegando a R$ 6,50 em alguns postos.

Ah, diesel e gás de cozinha também tiveram aumento da Petrobras. Quem achou que 2020 foi ruim, já deve estar reavaliando o conceito em 2021...

Bolsonaro x Estados

A divulgação de recursos federais enviados aos Estados por parte do presidente Jair Bolsonaro (dando a entender que eles ganham dinheiro para a saúde e não investem) indignou governadores. Eduardo Leite, que sempre buscou ser conciliador, atacou: “É difícil entender a mente do presidente”.

Confusão

Segundo Leite, Bolsonaro “insiste em dividir a população” e “em causar confusão”. Leite diz que muitas verbas são constitucionais, “o governo federal tem que repassar”. E segundo Leite, o socorro aos Estado não foi algo que partiu de Bolsonaro, mas no Congresso.

E mais

Segundo Leite, o RS pagou à União em 2020 R$ 70 bilhões em impostos. “Se recebemos R$ 40 bilhões, onde estão os outros 30?”. Reclamou ainda falta de vacinas e da negação do presidente em relação à doença. A briga ainda vai render, principalmente se a pré-candidatura de Leite à Presidência for oficializada.


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