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Opinião Artigo

Sobre voltar e se reencontrar...

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 28.08.2021 às 03:00

A pandemia nos levou aos momentos mais profundos de reflexão e conexão com a gente mesmo. Nunca na nossa geração tínhamos vivido uma experiência de perder o total controle sobre tudo, mesmo que a vida nos mostre diariamente que é assim que é. Parece que só vivendo na prática esse inesperado do destino, que pudemos compreender minimamente o que acontece a cada manhã que nasce: estamos vivos, do resto não sabemos!

E foi em um apartamento de 65 metros quadrados em Porto Alegre que, caminhando do quarto até a sala, vendo o sol pela janela, com medo de tudo que acontecia da porta para fora, cheio de notícias assustadoras sobre pessoas queridas e amigos profissionais da saúde exaustos física e mentalmente, que pensei: não posso ficar mais longe de tudo que sempre me fez tão bem.

Eu sou natural de Novo Hamburgo, nascida e criada no Jardim Mauá, com parte da adolescência vivida no Petrópolis, professora formada no Santa, joguei vôlei na Ginástica, sentava com chuvarada ou sol rachando na arquibancada do Santa Rosa para ver o Nóia, coisa que aprendi ainda criança no campo do Botafogo. Com a família tendo a base aqui, os amigos de uma vida toda aqui, minhas raízes aqui, eu precisava ampliar aquele quadrado que me acolhia lá na capital. Um quadrado não de tamanho de casa, mas de tamanho de reencontro comigo mesma e com aquilo que me impulsionou a ir tão longe.

E então a rádio ABC vai lá e me abre os braços como se fosse um: "vem, filha... teu quarto vai estar sempre te esperando!". Era como se cada possibilidade daqui despertasse aquela Débora menina, que chegou ao Grupo Sinos cheia de sonhos, com 17 anos, achando que dominava o assunto futebol, quando o fato era que seria a minha verdadeira primeira escola sobre como falar sobre paixão e com isso se apaixonar ainda mais pela bola que rola e faz vibrar.

Está tudo tão diferente de quando comecei... O dial é outro, os colegas são novos, o desafio é o oposto de tudo que já fiz... No Ponto e Contraponto a disputa é por ideias que, mesmo contrárias uns dos outros, não faz com que ninguém perca o jogo quando se aprende algo com quem pensa diferente. Ou seja: é uma renovação do brilho no olhar que estava escondido dentro daquele quadrado em que eu já não me encaixava mais.

Eu não só voltei para Novo Hamburgo. Nem tampouco voltei para a Rádio ABC. Eu voltei para onde meu coração estava, e encontrei comigo naquele estado que mais me impulsionou aos grandes passos a minha vida toda. É como se antes eu estivesse em meio a uma multidão, mas sentindo falta de uma só pessoa: eu mesma.

E como é bom saber que não importa apenas para onde vamos, quanto tempo ficamos, nem quem encontramos pelo caminho... importa sabermos que se um dia precisarmos nos reencontrar, é só voltar.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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