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A volta do Horário de Verão

Pressão pela volta da mudança do nosso fuso em uma hora cresce com o tarifaço da escassez hídrica na conta de luz

Por Guilherme Schmidt
Publicado em: 01.09.2021 às 22:51 Última atualização: 01.09.2021 às 22:51

Há exatamente um mês, em 2 de agosto, em entrevista à Rádio ABC 103.3 FM, aqui do Grupo Sinos, quando questionado sobre um possível retorno do Horário de Verão (extinto por ele em 2019), o presidente Jair Bolsonaro chegou a afirmar que “se a maioria quiser a volta, eu topo. Se for a vontade popular, voltamos”. 

Bem, após o anúncio do tarifaço de escassez hídrica, nesta virada de agosto para setembro, começou no País um movimento de empresários de diversos setores pela volta do Horário de Verão. Na realidade, o avistamento desta crescente crise hídrica já no primeiro semestre fazia com que alguns setores começassem a comentar esta possibilidade. Bolsonaro desconversava e falava em vontade do povo. Na real, vontade de seus eleitores. 

Quando extinguiram a medida em 2019, Bolsonaro e sua equipe defendiam que o HV não gerava economia significativa ao País e que muitos brasileiros tinham dificuldade na adaptação à mudança de fuso horário em uma hora, o que é verdade. Meu falecido pai, Celedo Schmidt, comerciante (dono de padaria e mercearia em Novo Hamburgo com minha mãe, dona Lori) era contrário ao horário, porque acabava tendo que fechar mais tarde o seu negócio porque os consumidores mudavam seus hábitos de fim de dia, que era estendido com o pôr do sol no horário que já seria noite. Além disso, com abria cedo da manhã, ainda era escuro quando começava o trabalho. Ou seja, parecia um dia interminável...

Também é verdade que nunca houve uma pesquisa para realmete se saber se a maioria dos brasileiros queria ou não Horário de Verão. Virou mais uma daquelas bandeiras bolsonaristas contra tudo o que o PT fazia antes. Do tipo "se eles queriam, a gente não quer mais"...

Enfim, a mudança de hábitos incomodava muitas pessoas e era boa para outras. Aquele eu gosto e eu não gosto como em quase tudo na vida.

Só que a crise energética e o valor altíssimo da conta de luz para os brasileiros podem gerar uma mudança neste pensamento. Claro que há seus prós e contras. Mas é preciso pensar nesta hora no todo, e uma economia nas nossas reservas energéticas, mesmo que mínima, é uma economia.

Até o empresário Luciano Hang, da rede Havan, fervoroso defensor de Bolsonaro, vem pedindo a volta do Horário de Verão em suas redes sociais - com direito a protesto de seus até então fiéis seguidores.

E algumas entidades, principalmente dos setores de alimentação (restaurantes e bares) e turismo, que já sofrem com os prejuízos da pandemia e veem a conta de luz assombrar, já ensaiam pressão para a retomada.

Se qualquer luz pode ajudar...

Bolsonaro disse que estamos no “limite do limite” e pediu que o brasileiro “apague um ponto de luz na sua casa” para economizar.

Se é assim, a pouco significativa economia do Horário de Verão seria bem-vinda em outubro. Enfim, não é a solução, mas um ponto de luz a mais para se apagar...

 


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