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Empatia, um esporte coletivo

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 04.09.2021 às 03:00

Nunca mais seremos os mesmos após a pandemia de Covid-19. Nossa rotina também não voltará ao normal. Os cuidados são parte do nosso habitual desde que o vírus passou a ser presença ingrata em nosso dia a dia. E nossas atitudes também não podem mais ser as mesmas. Ou focamos na nossa vida em sociedade, ou ficaremos limitados à clausura do nosso egoísmo.

Desde março de 2020 não há público nos estádios do Rio Grande do Sul. Logo no início das restrições, também parou tudo relacionado ao esporte. E o torcedor se viu obrigado a valorizar o sofá de casa como arquibancada. Nada que substituísse a preparação para ir a campo, encontrar os amigos, brindar uma certeza de vitória antes da partida, abraçar o desconhecido sentado na cadeira ao lado na hora do gol. Mas era a única realidade possível diante de um cenário em que a vida é que estava em jogo, e o maior adversário ainda não tinha barreira de vacina que o impedisse de avançar de forma cruel e desleal.

Os times se organizaram, jogadores são regularmente testados e monitorados, patrocinadores seguiram com sua marca exposta nos uniformes e o televisionamento diminuiu os prejuízos com a exposição das marcas. Eu sei que para um clube, do menor ao maior, é o público quem dita o sucesso econômico em dias de jogos, com associados em dia e compra de produtos licenciados. Mas você já pensou em quem vive no entorno dos estádios e tira dali o sustento quase no anonimato?

O cachorro-quente de antes das partidas, a bandeira que você tremula com orgulho, o churrasquinho que engana a fome quando a gente chega apressado para a partida, a água geladinha, o cavalinho fardado. Famílias que dependem da festa do esporte e que nesse um ano e meio se desesperam com a falta de solução para honrar todos os compromissos que não cessaram enquanto tudo parou.

Nesta semana o governo do Estado aprovou a retomada parcial de torcedores aos estádios e eventos esportivos. Com protocolos e exigências que não são para limitar presenças, mas para entender qual será o comportamento que poderá fazer o sucesso ou o regresso dessa tentativa. É nessa hora que entra um dos nossos maiores patrimônios: a empatia. Perceber que nossas ações não serão apenas nossas. Que o privilégio de estar entre os 40% dos possíveis presentes só vai existir se cada um entender como se portar na arquibancada, e se lá não puder estar, que se preserve e preserve os demais.

Esse é meu apelo aqui hoje. Que a gente consiga recomeçar com a consciência que nos foi exigida pela natureza nos últimos meses. Que sigamos respeitando o invisível como fazemos com o mais difícil dos adversários. Assim como o futebol é um esporte coletivo, que todos possam pensar no todo nessa retomada. O jogo só vai virar se todo mundo vestir a camisa da responsabilidade: consigo e com o outro.

 


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