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O cabelo do menino Ney

Por André Malta Martins
Publicado em: 20.10.2021 às 03:00 Última atualização: 20.10.2021 às 08:15

Quem viveu entre os anos 1970 e 2000 há de concordar: as pessoas conheciam rigorosamente tudo a respeito da seleção brasileira de futebol.

E não apenas os titulares, conheciam também os reservas, integrantes da comissão técnica e até jogadores que foram justa ou injustamente preteridos na convocação, seja por alguma lesão muscular repentina ou por pura implicância do treinador. Naquela época anotava-se o calendário dos jogos, a composição das chaves de cada torneio e, não raro, a escalação e as principais estrelas das equipes adversárias.

Uma partida contra a seleção da Argentina, Inglaterra ou Itália era motivo suficiente para faltar a aniversários, remarcar consultas médicas e cancelar viagens. Valia tudo para assistir à seleção e se encantar com as jogadas de craques como Zico, Romário e os dois "Ronaldos".

É claro que o público ainda se interessa pela seleção canarinho, mas a baixa dos índices de audiência dos jogos transmitidos pela TV, em contraposição ao registro de venda de camisetas, bandeiras, bonés e adesivos da seleção, são sintomas claros de que o aumento da politização das pessoas transformou o verde e amarelo em indicador político e ideológico, como também de que há mais interesse nos "frangos" do Supremo Tribunal Federal e nas "caneladas" do Congresso Nacional do que propriamente no desempenho brasileiro em campo.

Mais, ainda, as recentes denúncias contra a CBF em acréscimo aos salários milionários pagos a jogadores mais comprometidos com seus clubes no exterior do que com a seleção, levou a um crescente e talvez irreversível distanciamento do torcedor comum, mais preocupado com o preço da carne e da gasolina do que com o novo corte de cabelo do menino Ney.


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