Publicidade
Opinião | Cláudio Brito Opinião

Dependemos de um réu

Por Cláudio Brito
Publicado em: 03.03.2021 às 03:00 Última atualização: 03.03.2021 às 11:09

Talvez não seja bem isso, mas é quase isso. Começa que não se trata apenas de um acusado de crimes a eventualmente emperrar decisões das quais necessitamos urgentemente. Há outros envolvidos, mais ou menos implicados. E são várias frentes de cometimentos de delitos contra toda a comunidade.

Explico-lhes com muita clareza o que se passa comigo neste exato instante em que estou teclando aqui o meu modesto artigo desta quarta-feira. Organizei-me para tratar dos mesmos temas que já tinha enfrentado nos comentários em vídeo para nossas plataformas digitais e em áudio, para nossos espaços na Rádio ABC 103 FM: pandemia, falta de vacinas, ocupação máxima dos hospitais e a bandeira preta que tanto incomoda aos que insistem em deixar de lado os indispensáveis protocolos sanitários, nossa única proteção por enquanto. Ao alinhavar o que escreveria, outras notícias me impactaram, pois ficou muito claro como todos os assuntos se entrelaçam.

Governadores e representantes de 16 estados foram à Câmara de Deputados pedir uma força ao presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL), para facilitação da aprovação de várias questões alinhadas ao combate ao coronavírus. Era tudo o que eu gostaria de ver resolvido e bem detalhado, mas sobreveio outra informação relevante, dando conta que Lira tem contra si uma denúncia, oferecida pelo Ministério Público, pelo suposto recebimento de propina de R$1,6 milhão da construtora Queiroz Galvão, conforme conclusões da Operação Lava Jato.

Antes de pensar em resolver o drama de quem quer licença para comprar vacina, Arthur Lira tem que se defender, pois a denúncia está mantida pelo ministro Edson Fachin, que a encaminhará ao plenário da Câmara, que decidirá o rumo a ser tomado. Na mesma tarde, outra acusação contra ele foi arquivada pela Segunda Turma do STF, a partir de voto de Gilmar Mendes. Foi para o arquivo a denúncia de envolvimento com a Petrobrás. Livrou-se da metade de suas aventuras com a corrupção, mas segue enrolado.

Pensei que, passado o impacto que a notícia causou, bem no dia em que os Estados e Municípios buscariam o respaldo legal para a aquisição menos burocrática das necessárias e salvadoras doses de vacina, eis que, da Baixada Fluminense, outra notícia desviava a atenção para mais uma barbaridade confirmadora do desmanche moral que muitas vezes os brasileiros precisam enfrentar e lamentar.

Descobriram uma quadrilha que subtraía petróleo dos dutos da Petrobrás na região, desviando milhares de litros. O líder era um oficial PM do Rio de Janeiro. Os leitores talvez não sejam atingidos por qualquer espanto, acostumados aos absurdos cometidos por quem deveria zelar pela moralidade e nutrir sentimentos de brasilidade.

 

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.